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A saga de passar no vestibular

Lendo algumas notícias sobre vestibular, as lembranças da minha fase de vestibulanda apareceram sem parar na minha mente. Escolher o que fazer foi talvez o passo mais difícil desse período. Parecia que era a minha única chance de acertar, e não se deve encarar dessa forma. Mas, na época, errar na decisão de uma profissão não era uma opção.

Depois de escolhido o curso (jornalismo), era hora de pensar na concorrência. No ano em que eu prestei, a minha habilitação só perdia na relação candidato/vaga para medicina em quase todas as faculdades que eu prestei. Ia ser difícil.

Continuei estudando, de segunda a sexta, depois de segunda a sábado e, durante exatos um mês, de segunda a domingo. Passei inclusive meu aniversário, que caiu em um domingo nesse ano, na sala de aula do cursinho. Não cheguei a sacrificar muito no lado pessoal,nunca fui daquelas que sempre tinha um programa na agenda sábado à noite, então essa parte foi bem fácil. Sentia mais o cansaço físico, as horas de sono insuficientes, os cochilos entre uma matéria e outra.

No dia da primeira prova, me senti mal. O psicológico não muito forte da vestibulanda aqui só confirmou que a calma conta muito na hora de fazer uma prova. Acordei muito antes da hora, me sentindo enjoada, como se alguém torcesse meu estômago de tanto nervoso. Tudo o que eu pensava era “eu tenho que fazer essa prova, nada vai me derrubar” Esse mantra deu certo, e nesse dia, foi quando eu consegui minhas melhores notas.

Com o tempo, o nervosismo vai diminuindo. Você adquire um ritmo, consegue dosar melhor seu tempo e se não faz idéia do que responder em uma questão, enrola tão bem que o professor que vai corrigir sua prova pode te dar um quarto de ponto só pela sua criatividade. Isso também conta, e muito. Talvez esses décimos tenham causado sua aprovação. Na última prova eu era a tranqüilidade em pessoa. E foi nessa faculdade que eu consegui ser aprovada.

Porém antes disso, ainda tem a longa espera. algo em torno de duas semanas em que a palavra de ordem é desestressar, se distrair sem pensar em clima, relevo, hidrografia, respiração celular, trigonometria e tudo isso que voce só estuda uma vez na vida. Mas é difícil e tudo o que você consegue pensar é “se seu tivesse escrito aquela frase que eu esqueci na redação, ela teria ficado mais coesa”.

As notas saem, e você vê sua aprovação chegando… ou não. Senti as duas sensações. Vi que tinha feito boa pontuação, mas não era suficiente… todo mundo tinha ido bem, assim como eu. E o suspense continuava.

Sai a classificação da primeira faculdade. Não passei e fiquei longe de uma chance de reclassificação. Sai a segunda, também não consigo. A minha última esperança, que é a faculdade em que eu estou hoje, também não me aprovou na primeira chamada. Apesar disso, a minha colocação me permitia estar entre aqueles que seriam chamados depois. Houve muita conta e muita reza para que as pessoas que ficaram na minha frente optassem por outra instituição. E até que, na segunda reclassificação, meu nome estava lá. Um dos melhores dias da vida, sem sombra de dúvidas. Ver a felicidade de seus pais que tanto investiram em você não tem preço.

Já pensei no que eu ia fazer se não tivesse passado. Tentar de novo era a opção mais palpável na época, mas também seguir numa faculdade particular não seria tão ruim. É muito difícil pensar no que fazer se algo que é tão presente na sua vida hoje não tivesse acontecido.

Isso aconteceu em 2004.. Hoje, em 2008, já estou na reta final da faculdade, tentando aprender como ser uma profissional competente na minha área. Uma outra vida começou. Se ela foi boa ou não, eu, sinceramente, ainda não descobri.

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Comentários

  1. Bah. Vestibular é uma experiência fantástica. É tenso, é exigente, é puxado mas é legal. Eu fiz um ano de cursinho pra passar em direito na federal da minha cidade. 18 por vaga. Meu primeiro dia foi igual ao teu quase. Só que fui muito mal. Cheguei a cogitar não ir nos outros 2 dias. Mas resolvi ir sabendo que tinha que tirar leite de pedra. No segundo eu fiz 37 de 50. Era bom, mas não tão bom. Ae fui pro terceiro dia tendo que fazer mais de 40 pra ter chances. Matemática, Inglês e literatura. Inglês eu sabia que iria bem. Gabaritei. 15 acertos. Matemática quando eu abri a prova e vi questões de geometria me deu um alivio. Fiz 12. Mais 12 de literatura e mais 3 de filosofia. 42 acertos. Fui pra redação no outro dia sabendo que tinha passado do ponto de corte e que, se não tivesse redação, eu estaria em 27º de 32 vagas. Ae foi aquela loucura. Não posso ir mal na redação. Não posso arriscar pra tentar ir tão bem que pode dar merda. Então fiz o feijão com arroz tradicional. Nada de frescura e passei em 24º lugar. Este ano eu tô no martirio pelo meu irmão. Cursinho e tudo mais. E ele estuda muito mais que eu, só que não tem controle emocional. Sofro muito por ele. Acho que é capaz de eu estar mais preocupado que ele neste aspecto. Mas não adianta né. Todos tem que passar por isso. E ele merece a vaga. Só torcer.

    Matheus

    http://www.oultimoromance.wordpress.com

    | Responder Publicado 8 years, 7 months ago
  2. * Mônica says:

    Karine,
    li o seu texto e o achei a minha cara…
    Comigo foi exatamente igual em relação as tensões, estudos e facus… não passei na 1ª nem na 2ª facul, só na 3º e depois da 2ª reclassificação. Quando eu vi meu nome no site, foi uma sensação única, inexplicável! Ainda não comecei a facul, porém tenho certeza que será maravilhoso!

    Agora dou a maior força pra quem está ou vai passar por isso!

    | Responder Publicado 8 years, 4 months ago


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